Morre Maguito Vilela, o conciliador

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Maguito Vilela teve uma carreira política muito prodigiosa. Foi governador de Goiás e senador da república. Do Senado o já experiente político, após perder uma tentativa de eleição para o governo de Goiás, assume um desafio que muitos achariam estranho: governar a pequena em arrecadação, pobre e absolutamente problemática cidade de Aparecida de Goiânia. No período de 8 anos em que passou a frente da prefeitura de Aparecida Maguito deixou seu nome marcado na história como político trabalhador, eficiente e como um conciliador capaz de dialogar com todos os lados do espectro político e fazê-los trabalhar pelo bem público.

Foto: Arquivo Pessoal\Reprodução instagram

Em 2008, Aparecida era uma cidade dormitório, com muito mais da metade de seus lotes vazios, uma carência de infraestrutura que parecia impossível de suprir. Faltava arruamento, faltava asfalto, as pontes que existiam caiam com grande periodicidade, a segurança pública era um faroeste, não tinha escolas suficientes, não tinha educação, não tinha transporte público decente.

Mas seu talento conciliador garantiu proximidade e facilidade de diálogo com o governo petista da época. Antes de ser prefeito de Aparecida Maguito chegou a ser vice-presidente do Banco do Brasil. Essa facilidade de diálogo em Brasília abriu as portas para a assinatura de convênios e a apresentação dos projetos de infraestrutura que Aparecida precisava. Foi assim que Maguito conseguiu, com dinheiro federal, fazer uma grande transformação na cidade e transformar Aparecida no município mais industrializado e na segunda arrecadação de impostos do Estado de Goiás, perdendo apenas para Goiânia.

O grupo político de Maguito acaba de enfileirar o seu quarto mandato seguido a frente da prefeitura, liderado agora por Gustavo Mendanha que foi reeleito por nada menos que 95% dos votos da cidade.  Por esse potencial, Maguito se candidatou a prefeito de Goiânia, e após vencer alguma rejeição inicial, muito dela dissolvida pelo estado de saúde do candidato, Maguito venceu as eleições na capital apoiado pelo êxito de Aparecida e pela sua maior capacidade política, o talento conciliador que atrai simpatia até mesmo dos adversários.

Mas uma pergunta paira agora sobre a capital com a perda do seu preferido nas eleições antes mesmo de ter a chance de sentar-se na cadeira do seu gabinete.  Para compor uma chapa competitiva Maguito convidou para ocupar o cargo de vice o vereador pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Rogério Cruz. Rogério Cruz é carioca, pastor missionário especialista em administração de sistemas de comunicação e veio a Goiânia há apenas 9 enviado pela Igreja Universal para administrar seus sistemas de rádio. Um ano depois já foi eleito vereador de Goiânia pelo então PRB, atual Republicanos, e pela força da Igreja.

Acaba de terminar seu segundo mandato de vereador e agora lhe cai no colo a prefeitura de Goiânia pelo período de 4 anos, sem passar pelo crivo do voto e com uma grande carga de interesses conflitantes para enfrentar. No MDB o antigo grupo de Iris Rezende, aposentado da política, quer manter seu espaço, seu poder e seus cargos. O grupo político dos Vilela, que incluía Maguito e seu filho Daniel como líderes perde sua principal referência e a personalidade política que dava a liga, amalgamava e dava consistência para sua atuação. Daniel até agora liderou a construção do novo governo para a cidade e seria muito difícil para Rogério Cruz prescindir do MDB para governar Goiânia. Mas Daniel passará por uma prova de fogo para mostrar se aprendeu a liderar em meio ao furacão e se manterá a política do MDB e de Goiânia sob sua liderança.

Gerson Neto é jornalista, radialista, ambientalista e especialista em Planejamento Urbano e Ambiental.

O futuro dirá o que vai acontecer com nossa capital, mas por hora fica a imensa lástima da perda do líder conciliador, carismático e trabalhador que foi Maguito Vilela. Capaz de trabalhar bem com todos os bons técnicos, articuladores e gestores independente de ideologias, sem perseguições e premiando as realizações, talento que hoje em dia faz imensa falta na política. Basta lembrar que o governador Ronaldo Caiado, do campo oposto e apoiando outro candidato em Goiânia, foi o maior defensor de Maguito no momento da doença, chegando a demitir um assessor por ele. Que Maguito vá em paz e que o talento do trabalho e da conciliação permaneçam em outras figuras públicas do nosso país.

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