Parlamento inicia reta final com discursos de Caiado e representantes da base e da oposição

O chefe da Casa de Leis, deputado Bruno Peixoto, presidiu a sessão solene de instalação dos trabalhos legislativos de 2026, o último do mandato de 4 anos dos deputados estaduais. O governador Ronaldo Caiado, que entregou a mensagem do Executivo, e seu vice Daniel Vilela prestigiaram o evento. Os discursos da base aliada ficaram a cargo de Jamil Calife e Issy Quinan, enquanto a oposição foi representada, na tribuna, por Antônio Gomide e Gugu Nader.

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A 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 20ª Legislatura teve início com uma solenidade realizada nesta quarta-feira, 18. Conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB), e com a presença do governador e do vice, Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB), a instalação marca o começo dos trabalhos de 2026 em Plenário.

O chefe do Poder Executivo recebeu a palavra para ler a mensagem governamental. Antes, Jamil Calife (PP) e Issy Quinan (MDB) subiram à tribuna para discursar em nome da base governista. Para assegurar espaço institucional para as diferentes correntes políticas que compõem o Legislativo Estadual, Antônio Gomide (PT) e Gugu Nader (Avante) representaram a oposição. 

Mensagem governamental

No momento oportuno para a mensagem anual do governador, Caiado apresentou um balanço do seu período à frente do Executivo Estadual, defendendo o modelo adotado por ele desde 2019, e enumerou ações e prioridades. Responsabilidade fiscal, investimentos públicos, segurança, saúde, educação e inovação foram realçados.

Entre as ações para 2026, Caiado anunciou o envio de projetos ao Poder Legislativo com impacto direto no setor produtivo rural. "A Alego receberá proposta para anistiar dez mil cento e nove produtores rurais” que teriam sido multados em R$ 1 bilhão, além de outro projeto que, de acordo com o ele, extingue o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra). O governador explicou que as medidas foram construídas em entendimento com os produtores rurais e que as apresentou como resposta a dificuldades recentes do setor.

Caiado saudou o presidente da Alego, Bruno Peixoto, e destacou a sua ligação histórica com o Parlamento, ao lembrar que viveu durante 24 anos no Poder Legislativo. O governador também cumprimentou autoridades presentes e classificou o momento como um dia de comemoração, com a afirmativa de que os resultados alcançados em sete anos são fruto de parceria institucional, não de ação individual.

Retrospectiva

Na perspectiva do eixo fiscal e econômico, o governador comparou indicadores do Estado com o cenário nacional, argumentando que o debate deve ocorrer com dados concretos. Assim, sustentou que a dívida pública goiana, que, há seis anos, teria sido equivalente a 93% da sua arrecadação, recuou para 62%.

Quando assumiu o Palácio das Esmeraldas pela primeira vez, contou Caiado, precisou reconhecer “R$ 6,4 bilhões de dívida imediata”, além de uma dívida consolidada “expressiva”. Segundo ele, a gestão encerra o ciclo atual com “R$ 9,8 bilhões em caixa, e com a maior capacidade de investimento no país”. Conforme informações apresentadas, em 2025, foram R$ 7 bilhões aplicados em obras, colégios, rodovias, pontes e hospitais.

Caiado tratou a segurança pública como alicerce da governabilidade e fez críticas ao cenário nacional. “É a melhor do Brasil, a mais bem equipada, a mais preparada e a mais competente”, disse sobre as forças de segurança estaduais goianas.

Quanto à saúde, o político enalteceu a expansão de rede e a interiorização de serviços, enfatizando investimentos de R$ 38 bilhões e criticando, novamente, os repasses federais.

Ao falar de educação, Caiado afirmou que Goiás alcançou a liderança nacional e sustentou que o Estado é primeiro lugar na educação no Brasil. “Somos o primeiro no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e avançamos fortemente na alfabetização.”  No capítulo de inovação, o governador refletiu sobre resultados como o pioneirismo goiano em áreas da tecnologia e a política voltada a minerais críticos e terras raras.

No que diz respeito à relação federativa, entre outras críticas, o mandatário declarou que, no período de sete anos, Goiás teria repassado R$ 124 bilhões ao Governo Federal em impostos e recebido apenas R$ 62 bilhões como investimento federal, rebatendo interpretações sobre mecanismos de renegociação e programas federais.

Ronaldo Caiado observou que esta foi a sua última participação na tribuna da Alego, na condição de chefe do Executivo, e afirmou que governou com exemplo de vida. Defendeu que o Brasil só terá uma solução se quem chegar ao poder tiver autoridade moral. 

Com a palavra, o presidente da Casa 

Em tom de gratidão e alinhamento político, Bruno Peixoto evidenciou conquistas do Estado nos últimos anos e reafirmou o seu compromisso com a base governista. Como principais campos beneficiados, enumerou a saúde, a infraestrutura e a segurança pública,

No início de sua fala, o presidente parabenizou os líderes do Governo na Casa, Talles Barreto (UB) e Wilde Cambão (PSD), e destacou que, sob a articulação deles, foram aprovados 100% dos projetos encaminhados pelo Poder Executivo.

Peixoto aproveitou para recordar o seu próprio período como líder, ainda no primeiro mandato de Caiado à frente do Executivo goiano. “O governador disse que teríamos de adotar medidas difíceis ou o servidor não receberia seu salário. Apesar disso, ele não abaixou a cabeça, arregaçou as mangas e foi ao trabalho”, recordou.

O presidente agradeceu a confiança de Caiado e, ainda em tempo, direcionou-se a Daniel Vilela, oportunidade em que relembrou a trajetória política conjunta entre ambos.

Oposição

Antônio Gomide foi um dos porta-vozes dos parlamentares da oposição. Em um primeiro momento, ele enalteceu feitos do Governo Federal nos últimos anos e avaliou que o país vive um tempo de grandes e positivas transformações. “O Brasil hoje tem rumo, um Governo que cuida das pessoas. E é preciso dizer também: cuida dos goianos”, disse.

Em seguida, Gomide evidenciou pontos que, em sua avaliação, devem ser melhorados em Goiás, com ênfase na economia, na valorização do servidor público e da saúde pública. O petista assinalou, ainda, a necessidade de atenção da Governadoria à Universidade Estadual de Goiás (UEG), cobrou fomento ao esporte goiano, com a reforma e a reabertura de espaços existentes para práticas esportivas, defendeu a preservação do Cerrado e, por fim, o diálogo entre os Poderes.

“Nós sabemos que governar é tomar decisões, porém, é preciso estar aberto ao diálogo. Nós, aqui na Assembleia Legislativa, temos o dever de escutar a sociedade, mas também queremos que as demandas da população sejam acatadas pelo Governo”, avaliou.

E concluiu com uma reflexão: “Lembro também, aos nobres colegas, neste reinício das atividades desta Casa, que não podemos nos render ao debate raso. Quando a classe política perde o respeito, a sociedade perde junto. Respeitar as divergências políticas fortalece a democracia”.

Por sua vez, a fala de Gugu Nader (Avante) foi marcada por apelos pela harmonia durante o ano eleitoral. O deputado exaltou o compromisso com a democracia, com a Constituição e a independência entre os Poderes. Além disso, destacou a importância de “fiscalizar, propor, questionar, aprimorar políticas públicas, para que o Estado avance com equilíbrio e justiça”.

Ao encerrar o seu pronunciamento, Nader firmou uma promessa: “A oposição será firme, responsável e propositiva. O nosso compromisso é com Goiás, acima de qualquer projeto político”.

Base governista

Em resposta ao discurso de Gomide, Issy Quinan apresentou um compilado do que considera frutos da gestão de Ronaldo Caiado. Antes disso, louvou a possibilidade de existirem discordâncias no Parlamento goiano, o qual chamou de “Casa das ideias e da pluralidade de dimensões”.

Em linhas gerais, o parlamentar discorreu sobre o crescimento registrado em diversas áreas do atual Governo. Afirmou que Goiás vive um ciclo de crescimento econômico, com expansão superior à média nacional e previsão do produto interno bruto (PIB) acima de R$ 350 bilhões, e mais de 180 mil empregos formais criados entre 2023 e 2025.

A liderança relativa ao Ideb no ensino médio público e a construção de policlínicas no interior são alguns dos exemplos lembrados, respectivamente, na educação e na saúde.

Do ponto de vista da inclusão, Quinan observou que foram investidos mais de R$ 122 milhões em programas sociais como Goiás + Inclusivo, Equipa Social e Pró-Goiás Atleta, todos debatidos e aprovados pela Alego.

Complementarmente, o emedebista mencionou avanços na infraestrutura, principalmente no que diz respeito a obras viárias, e na segurança pública, modernizada por novidades como o Programa IA Contra o Crime.

Quinan refletiu sobre o que a solenidade representa para a Alego: “Não é apenas o início de um calendário institucional, mas um momento de reflexão, de responsabilidade e de reafirmação do papel do Parlamento na vida pública no nosso Estado”.

No mesmo sentido, Jamil Calife (PP) centrou as suas palavras em realizações governamentais, que, na sua visão, transformaram Goiás. Segundo ele, o momento vivido hoje pelo Estado estará nos livros como um marco fundamental para os cidadãos goianos e para novos padrões culturais de gestão pública.

O legislador ressaltou que o Parlamento goiano, como representante legítimo do povo, soube oferecer o apoio necessário: “Sob a condução do nosso presidente, Bruno Peixoto, aprovamos 100% das matérias do Governo. Totalmente em consonância e responsabilidade com o Governo de Goiás”.

Calife lembrou que quando Caiado assumiu o Executivo Estadual pela primeira vez, em 2019, encontrou dificuldades, que o levaram a tomar várias decisões, muitas vezes impopulares, mas que, baseadas em planejamento, proporcionaram uma nova realidade ao Estado.

Ao encerrar sua participação, Calife opinou que, para além de testemunhas, a Casa de Leis participou desse novo ciclo: “Que cada deputado, independentemente de partido, reconheça: quando Goiás precisou, houve dedicação séria e liderança”.

Agência Assembleia de Notícias

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