Rodrigo Mansil: Entre o Jornalismo e a Psicologia — A luta contra a Ataxia

A história de Rodrigo Mansil é um poderoso exemplo de coragem e resiliência. Ao trilhar um caminho marcado por limitações cada vez mais rígidas, ele escolheu transformar seu diagnóstico em uma plataforma de conscientização, apoio e esperança para quem vive com doenças raras.

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Confira entrevista com Rodrigo Mansil

Em 2017, enquanto atuava como repórter na TV Anhanguera, rede afiliada da Globo em Goiânia, Rodrigo Mansil, então com cerca de 40 anos, começou a perceber alterações na sua fala: ela se tornava lenta e pastosa, fato que o levou a ter de refazer matérias. Um histórico familiar carregado de ataxia — que acometeu seu pai até 2021 — o trouxe a buscar um mapeamento genético. O diagnóstico veio em 2018: doença de Machado‑Joseph (ataxia espinocerebelar tipo 3), uma forma progressiva de ataxia degenerativa.

Comovido pela gravidade do diagnóstico e pelas limitações que começaram a surgir — como fadiga intensa, desequilíbrio e falhas na coordenação motora — Mansil decidiu se afastar da televisão e dedicou-se integralmente à psicologia, sua outra paixão.

Conforme a doença evoluía, atividades cotidianas tornaram-se mais desafiadoras: ele precisa de uma bengala para se locomover e, dentro de seu próprio apartamento, muitas vezes usa a parede como apoio para evitar quedas. Adaptações no lar — remoção de tapetes, uso de utensílios resistentes e assistência doméstica especializada — foram necessárias para preservar sua segurança e autonomia.

Força e resiliência na adversidade

Apesar dos desafios físicos, Rodrigo segue ativo. Aposentado por incapacidade, mantém atendimentos psicológicos pontuais de forma voluntária para continuar contribuindo com outras pessoas.

Ele se engaja em uma rotina intensa com fisioterapia, musculação, natação, terapia ocupacional, equoterapia e ecoterapia — não em busca de cura (ainda inexistente), mas de qualidade de vida e manutenção de suas capacidades intelectuais, intactas até o momento.

Compromisso público e ativismo

Rodrigo tem firmado papel como defensor das pessoas com doenças raras. Ele foi um dos 96 delegados de Goiás na 17ª Conferência Nacional de Saúde (julho de 2023), onde defendeu a inclusão das ataxias como prioridade no SUS e destacou o papel fundamental do Crer (Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo) como referência no atendimento.

Além disso, atua como voluntário na Associação Brasileira das Ataxias Hereditárias e Adquiridas (Abahe) e compartilha sua rotina e desafios nas redes sociais, no perfil @rodri_goataxia, com objetivo de conscientizar e inspirar.


Contexto científico: o que é a doença de Machado‑Joseph

A Doença de Machado‑Joseph (ataxia SCA3) é um grave distúrbio neurológico hereditário, ocasionado por uma expansão mutada do gene ATXN3. Essa mutação leva à degeneração de neurônios no sistema nervoso central, comprometendo a coordenação motora, o equilíbrio, a fala e, em estágios avançados, o controle postural e a capacidade de engolir.

Os sintomas podem se assemelhar aos do mal de Parkinson e, apesar da progressão inevitável, as capacidades cognitivas tendem a se manter preservadas. As opções de tratamento ainda não são curativas, o foco permanece no manejo de sintomas e em terapias que prolonguem a qualidade de vida.

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