PEC que pode extinguir cargo de vereador avança no debate e pode atingir mais de 200 municípios de Goiás

Proposta do deputado federal Amom Mandel prevê substituir vereadores por conselheiros comunitários sem salário fixo; texto ainda busca assinaturas para começar a tramitar.

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O texto é articulado pelo deputado federal Amom Mandel e propõe substituir as atuais câmaras municipais por conselhos comunitários com estrutura reduzida e sem salário mensal fixo.

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende extinguir o cargo de vereador em cidades de pequeno porte segue repercutindo em todo o país e pode afetar diretamente a maioria dos municípios goianos. O texto é articulado pelo deputado federal Amom Mandel e propõe substituir as atuais câmaras municipais por conselhos comunitários com estrutura reduzida e sem salário mensal fixo.

Inicialmente, a proposta previa mudanças em municípios com até 30 mil habitantes. No entanto, durante as discussões no Congresso Nacional, o parlamentar afirmou que há negociações para ampliar o alcance da PEC para cidades com até 60 mil moradores.

Caso a ampliação seja confirmada, 223 dos 246 municípios goianos seriam atingidos pela medida, segundo estimativas populacionais do IBGE. Na região Norte de Goiás, cidades como Uruaçu, Porangatu, Niquelândia e Minaçu poderiam entrar no novo modelo.

Pela proposta em debate, os chamados “conselheiros comunitários” não teriam salário fixo. Eles receberiam apenas ajuda de custo proporcional à participação nas sessões legislativas. A justificativa apresentada pelo deputado é reduzir despesas públicas e direcionar mais recursos para áreas como saúde e educação.

Segundo Amom Mandel, a intenção não seria acabar com a representação popular, mas alterar o modelo de funcionamento das câmaras em cidades pequenas. O parlamentar defende que muitas estruturas legislativas municipais se tornaram caras em relação à realidade orçamentária dos municípios.

Por outro lado, críticos da proposta apontam que o fim do salário fixo poderia dificultar a participação de trabalhadores e pessoas de baixa renda na política local, já que apenas quem possui renda própria teria condições de exercer a função. Também há questionamentos sobre possível enfraquecimento da fiscalização do Executivo municipal e dúvidas sobre a constitucionalidade da medida.

Até o momento, a PEC ainda não começou a tramitar oficialmente na Câmara dos Deputados. Para isso, o texto precisa reunir pelo menos 171 assinaturas de parlamentares. O deputado afirmou já ter apoio inicial de cerca de 20 a 30 deputados federais.

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