Idoso constrói próprio túmulo em sobrado de três andares em cemitério de Bonópolis

1035
Confira reportagem com Sandoval César de 84 anos

Uma construção de três andares no cemitério de Bonópolis, no norte de Goiás, chama a atenção de quem passa pelo local. O imóvel, que tem estrutura semelhante à de uma casa, foi construído pelo aposentado Sandoval Araújo César, de 84 anos, para ser seu túmulo.

A obra começou em 2014 e, ao longo dos anos, ganhou características bastante particulares. No interior do imóvel há móveis, arquivos e objetos pessoais, além de imagens religiosas de Jesus, Maria e José. Sandoval chama a construção de “Castelo Encantado” e explica que o espaço foi planejado por ele como o local onde pretende ser sepultado quando morrer.

A relação do idoso com o espaço vai além da construção do próprio túmulo. Sandoval conta que já chegou a dormir no sobrado, uma experiência que, segundo ele, foi marcada por tranquilidade.

“Eu já dormi aqui e senti muita paz”, relata.

Para ele, o local não representa medo, mas uma forma de encarar a morte com naturalidade. Aos 84 anos, Sandoval afirma que não tem receio de falar sobre o assunto e considera a morte parte natural da existência humana. Ele também diz que aguarda com tranquilidade — e até ansiedade — o momento de sua partida.

Apesar da forma serena como fala sobre a própria morte, Sandoval faz questão de destacar que é contra o suicídio e defende que a vida deve ser preservada.

Perdeu a mãe aos três anos

A relação de Sandoval com a morte começou ainda na infância. Ele tinha apenas três anos quando perdeu a mãe em Porto Nacional, Tocantins. Já adulto, fez questão de realizar oficialmente o enterro simbólico dela, resgatando uma história familiar que permaneceu marcada em sua memória ao longo das décadas.

A experiência contribuiu para a maneira particular com que Sandoval encara a finitude e as lembranças daqueles que já partiram. Além de ser o local escolhido para seu futuro sepultamento, o “Castelo Encantado” reúne objetos que fazem parte da história de Sandoval.

Os móveis, arquivos pessoais e imagens religiosas transformaram o espaço em uma espécie de memorial particular, onde estão presentes elementos ligados à sua vida, à sua fé e à forma como enxerga a existência.

A construção também desperta a curiosidade de moradores e visitantes do cemitério de Bonópolis, justamente por fugir do padrão tradicional de túmulos encontrados em cemitérios.

Mais do que a construção inusitada, a história de Sandoval provoca uma reflexão sobre a maneira como cada pessoa encara a morte. Sem esconder o assunto ou demonstrar medo, ele escolheu construir antecipadamente o lugar onde pretende ser sepultado e transformá-lo em um espaço que, para ele, transmite paz.

E, ao falar sobre sua trajetória e sobre aquilo que espera deixar como legado, Sandoval resume sua mensagem em um conselho simples: “Pratiquem o bem.”

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui