Uma construção de três andares no cemitério de Bonópolis, no norte de Goiás, chama a atenção de quem passa pelo local. O imóvel, que tem estrutura semelhante à de uma casa, foi construído pelo aposentado Sandoval Araújo César, de 84 anos, para ser seu túmulo.
A obra começou em 2014 e, ao longo dos anos, ganhou características bastante particulares. No interior do imóvel há móveis, arquivos e objetos pessoais, além de imagens religiosas de Jesus, Maria e José. Sandoval chama a construção de “Castelo Encantado” e explica que o espaço foi planejado por ele como o local onde pretende ser sepultado quando morrer.
A relação do idoso com o espaço vai além da construção do próprio túmulo. Sandoval conta que já chegou a dormir no sobrado, uma experiência que, segundo ele, foi marcada por tranquilidade.
“Eu já dormi aqui e senti muita paz”, relata.
Para ele, o local não representa medo, mas uma forma de encarar a morte com naturalidade. Aos 84 anos, Sandoval afirma que não tem receio de falar sobre o assunto e considera a morte parte natural da existência humana. Ele também diz que aguarda com tranquilidade — e até ansiedade — o momento de sua partida.
Apesar da forma serena como fala sobre a própria morte, Sandoval faz questão de destacar que é contra o suicídio e defende que a vida deve ser preservada.
Perdeu a mãe aos três anos

A relação de Sandoval com a morte começou ainda na infância. Ele tinha apenas três anos quando perdeu a mãe em Porto Nacional, Tocantins. Já adulto, fez questão de realizar oficialmente o enterro simbólico dela, resgatando uma história familiar que permaneceu marcada em sua memória ao longo das décadas.
A experiência contribuiu para a maneira particular com que Sandoval encara a finitude e as lembranças daqueles que já partiram. Além de ser o local escolhido para seu futuro sepultamento, o “Castelo Encantado” reúne objetos que fazem parte da história de Sandoval.
Os móveis, arquivos pessoais e imagens religiosas transformaram o espaço em uma espécie de memorial particular, onde estão presentes elementos ligados à sua vida, à sua fé e à forma como enxerga a existência.
A construção também desperta a curiosidade de moradores e visitantes do cemitério de Bonópolis, justamente por fugir do padrão tradicional de túmulos encontrados em cemitérios.
Mais do que a construção inusitada, a história de Sandoval provoca uma reflexão sobre a maneira como cada pessoa encara a morte. Sem esconder o assunto ou demonstrar medo, ele escolheu construir antecipadamente o lugar onde pretende ser sepultado e transformá-lo em um espaço que, para ele, transmite paz.
E, ao falar sobre sua trajetória e sobre aquilo que espera deixar como legado, Sandoval resume sua mensagem em um conselho simples: “Pratiquem o bem.”

















