Os Estados Unidos aprovaram um financiamento de até US$ 465 milhões para a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM), empresa localizada em Minaçu, no norte de Goiás. O investimento foi confirmado pela Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC), órgão ligado ao Departamento de Estado norte-americano.

O recurso será destinado a melhorias na mina Pela Ema, que possui vida útil estimada em 25 anos, além de cobrir custos operacionais, refinanciamento de dívidas e outras despesas relacionadas ao projeto. O acordo foi aprovado e assinado em agosto de 2025 pelo conselho diretor da DFC.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a Serra Verde é a única mineradora fora da Ásia que opera em escala comercial com os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras: disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e praseodímio (Pr) — componentes fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e outros equipamentos de alta tecnologia.
A produção ocorre a partir de depósitos de argila iônica, que garantem um baixo impacto ambiental e posicionam o empreendimento como um dos mais promissores fora do eixo asiático. A empresa afirmou que o projeto ainda passa por etapas de revisão, e que comentários mais detalhados serão feitos apenas após a conclusão das tratativas.
Brasil em destaque na geopolítica dos minerais críticos
Os elementos de terras raras, apesar de não serem escassos na natureza, recebem essa denominação pela dificuldade de separação em sua forma pura. Eles são classificados em três grupos:
- Leves: lantânio, cério, praseodímio e neodímio;
- Médios: samário, európio e gadolínio;
- Pesados: térbio, disprósio, hólmio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, ficando atrás apenas da China, responsável por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino.
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, destacou recentemente o interesse norte-americano nos minerais estratégicos brasileiros, apontando que o país tem potencial para se tornar um player relevante na transição energética global.
A DFC, criada em 2019 durante o governo Donald Trump, atua como o braço de investimento internacional dos Estados Unidos, financiando projetos que fortalecem cadeias produtivas consideradas estratégicas para o país.
Crescimento da Serra Verde

A Serra Verde Pesquisa e Mineração iniciou suas atividades em 2010, com pedidos de exploração junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). Em 2017, obteve a licença prévia, e no ano seguinte começou a execução do Projeto Pela Ema, planejado para produzir ao menos 5 mil toneladas de óxidos de terras raras por ano.
Após anos de estudos e investimentos, a empresa recebeu a licença ambiental de operação em 2023 e iniciou a produção comercial em 2024.
De acordo com o presidente da companhia, Ricardo Grossi, o depósito de argila iônica em Minaçu é um dos maiores fora da Ásia, com vantagens ambientais e logísticas por estar localizado em uma área mineradora consolidada e próxima de infraestrutura de energia renovável.
A empresa também recebeu aportes significativos nos últimos anos: US$ 150 milhões em 2023 da Energy and Minerals Group e Vision Blue Resources, seguidos por um novo investimento de igual valor em 2024, que contou ainda com a participação da Denham Capital.













