
O julgamento de um dos crimes de maior repercussão no norte de Goiás está marcado para o próximo dia 11, no Fórum de Campinorte. Vão sentar no banco dos réus a filha do fazendeiro Nelson Alves, o genro da vítima e um terceiro acusado apontado como executor do homicídio ocorrido em abril de 2024.
De acordo com as investigações da Polícia Civil de Goiás, a própria filha da vítima é acusada de arquitetar a morte do pai, um idoso de 73 anos, motivada por disputa de herança. O caso chocou moradores da região pela crueldade e pelos detalhes revelados durante o inquérito policial.
As prisões da filha e do genro aconteceram no dia 20 de dezembro de 2024, após o executor do crime denunciar o casal anonimamente à polícia. Conforme a investigação, ele teria aceitado matar o fazendeiro mediante pagamento de R$ 20 mil, mas decidiu procurar as autoridades alegando que não recebeu o valor combinado.
O executor identificado como Luiz Henrique da Silva de Lima Mendonça, de 22 anos, foi localizado e preso em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal, onde estava escondido na casa de parentes.
Segundo a Polícia Civil, antes do assassinato houve um desentendimento entre o fazendeiro e o casal acusado. A investigação aponta que Nelson Alves teria ordenado que a filha e o genro deixassem a propriedade rural onde moravam.
“Há o relato de que estes teriam brigado, tendo Nelson ordenado que seu genro e filha desocupassem o imóvel onde residiam, pois se tratava de propriedade de Nelson”, informou a polícia durante o indiciamento.

Ainda conforme as investigações, Nelson Alves foi morto em uma emboscada enquanto pilotava uma motocicleta. A polícia informou que o executor e dois comparsas estavam em bicicletas quando abordaram a vítima e efetuaram os disparos. O fazendeiro foi atingido por dois tiros e morreu no local.
A herança deixada pela vítima também ganhou destaque nas investigações. Conforme a Polícia Civil, o patrimônio incluía cerca de 20 alqueires de terra, 110 cabeças de gado, quatro imóveis em Campinorte e dinheiro em conta bancária. A filha era apontada como única herdeira dos bens.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a suspeita tentou movimentar valores da conta bancária do pai e vendeu parte do gado aproximadamente três meses após o crime. A negociação levantou suspeitas e reforçou os indícios já apurados pela investigação.
A polícia informou ainda que a acusada tentou negociar imóveis após a morte do pai e trocou de veículo. Já o genro do fazendeiro teria adquirido um smartphone de alto valor logo após o homicídio, fato que também passou a ser analisado pelos investigadores.
Os três acusados devem responder perante o Tribunal do Júri por homicídio qualificado e outros crimes relacionados ao caso. A expectativa é de que o julgamento mobilize moradores da cidade e familiares da vítima devido à repercussão do crime em toda a região norte de Goiás.















