
Um pirarucu de grandes proporções foi apreendido durante uma operação de combate à pesca predatória no município de Bonópolis, no norte de Goiás. O peixe, que media 1,85 metro de comprimento, chamou a atenção por ser maior que o sargento Paulo Messias Resende, do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, que tem 1,83 metro de altura.
A apreensão ocorreu por volta da 1h da madrugada de domingo (3), durante uma incursão no Rio Crixás-Açu, após denúncias de pesca ilegal na região. Segundo o sargento Resende, este foi o maior peixe que ele já viu pessoalmente, provocando uma reação de surpresa e, ao mesmo tempo, de tristeza.
Dois homens foram presos na ação: um aposentado de 82 anos e seu sobrinho, de cerca de 40 anos. De acordo com a polícia, o idoso admitiu que já tinha o hábito de pescar utilizando espinhel, equipamento considerado predatório. Ambos alegaram que capturaram o pirarucu apenas para tirar fotos, versão que não convenceu os agentes.
Além do pirarucu, os suspeitos estavam com aproximadamente 20 quilos de outros peixes, que também foram apreendidos por estarem abaixo do tamanho mínimo permitido pela legislação. Todo o pescado foi doado à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Miguel do Araguaia.
Os dois homens foram autuados por pesca ilegal e encaminhados à Central de Flagrantes de São Miguel do Araguaia, a cerca de 70 quilômetros de Bonópolis. A Polícia Civil arbitrou fiança de R$ 10 mil para cada um, valor que não havia sido pago até a última atualização do caso.

A legislação ambiental em Goiás proíbe a pesca do pirarucu para consumo na Bacia Tocantins-Araguaia, onde está localizado o Rio Crixás-Açu. A restrição existe há cerca de 30 anos, conforme a Lei Estadual nº 13.025/1997. Outras espécies também têm captura proibida, como bargada, jaú, piranambú (surubim-de-canal), pirapitinga-do-sul, piraíba (filhote ou piratinga) e pirarara.
Em nível nacional, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou, em março deste ano, uma instrução normativa que permite a pesca do pirarucu apenas em regiões onde a espécie é considerada invasora. Em Goiás, isso ocorre nas bacias dos rios Paranaíba e São Francisco. Já na Bacia Tocantins-Araguaia, a captura segue proibida.
O sargento Resende destacou que a pesca esportiva do pirarucu — quando o peixe é capturado e devolvido imediatamente à água — é permitida, desde que respeitadas as normas ambientais. A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) mantém uma lista com 121 municípios goianos onde a pesca da espécie é restrita.















