
Famílias ribeirinhas que viviam às margens do Lago da Serra da Mesa, no norte de Goiás, receberam capacitação para produzir alimentos de forma sustentável e gerar renda por meio da agroecologia. O projeto “Um Olhar para o Cerrado”, lançado em 21 de junho, em Uruaçu, beneficiou inicialmente cerca de 40 famílias em situação de vulnerabilidade social e alimentar.
A iniciativa foi realizada pela organização social Luta pela Vida e foi selecionada na segunda edição do Edital Diálogos Equatorial, programa do Instituto Equatorial voltado ao financiamento de projetos sociais nas áreas de educação, sustentabilidade, empreendedorismo e empregabilidade.
Ao longo de aproximadamente sete meses, os participantes tiveram aulas práticas e teóricas sobre cultivo de hortaliças, manejo agroecológico, preservação ambiental e aproveitamento de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), como taioba e jurubeba. O curso ensinou desde a germinação das sementes e o uso consciente de fitossanitários e insumos orgânicos até técnicas de conservação, armazenamento e comercialização da produção.
O projeto foi desenvolvido em uma região marcada pelo crescimento do turismo e pela ocupação no entorno do lago, considerado o maior reservatório artificial do Brasil em volume de água para geração de energia. Segundo os organizadores, muitas famílias viviam em situação de vulnerabilidade mesmo às margens de um dos maiores patrimônios hídricos do Estado.
“Percebemos uma ocupação desordenada da região e, ao mesmo tempo, a ausência de iniciativas voltadas à organização da produção de alimentos. Entendemos que poderíamos contribuir para fortalecer essas comunidades por meio da agroecologia e da educação ambiental”, afirmou a presidente da organização Luta pela Vida, Liliane da Silva.
Além da produção agrícola, os participantes também receberam orientações sobre educação ambiental, conservação do Cerrado, cidadania e uso responsável da água e do solo. Ao final da formação, as famílias passaram a ter condições de comercializar os alimentos em feiras locais e até fornecer produtos para programas de alimentação escolar.
A executiva de sustentabilidade do Instituto Equatorial, Janaína Ali, destacou que o Edital Diálogos buscou apoiar iniciativas com potencial de transformação social nas comunidades onde o grupo atuava. “Queremos incentivar projetos que promovam autonomia, conscientização ambiental e melhoria da qualidade de vida das populações atendidas”, afirmou.
Quem foi a Luta pela Vida?
Fundada em 2019 em Uruaçu, a ONG nasceu para desenvolver ações de promoção da vida e enfrentar desafios relacionados à vulnerabilidade, abordando também questões como insegurança alimentar. As primeiras ações incluíram aulas de violino e violoncelo para crianças e adolescentes, cursos de cidadania e valores, produção de queijo e outros produtos artesanais, além de distribuição de sopas para famílias carentes.
Em 2023, surgiu o projeto Um Olhar para o Cerrado, inicialmente focado no ensino de cultivo de hortaliças para famílias da periferia urbana. Posteriormente, a iniciativa ampliou seu alcance para as comunidades ribeirinhas da Serra da Mesa.
Além da agroecologia, o projeto buscou resgatar a cultura tradicional e a dignidade das comunidades atendidas. “É um povo muito sofrido, que não tem tantos recursos e, apesar de viver às margens de um grande lago, muitas vezes não tem água para beber ou não sabe utilizá-la de forma adequada. Trabalhamos a conscientização sobre o uso do solo e da água, com reflexão sobre emoções, atitudes e comportamentos, para evitar desperdícios”, comentou a coordenadora de projetos da organização, Eliane Maria Ribeiro.
Sobre o Instituto Equatorial
O Instituto Equatorial foi a estratégia social do Grupo Equatorial voltada à promoção do desenvolvimento social por meio de projetos direcionados à educação, geração de renda e fortalecimento de comunidades nos estados onde o grupo esteve presente.
Por meio do Edital Diálogos, o Instituto investiu, desde a primeira edição, cerca de R$ 7 milhões nos estados onde o Grupo Equatorial atuava. Somente na primeira edição, o programa impactou mais de 107 mil pessoas em sete estados brasileiros: Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Goiás, Amapá e Rio Grande do Sul.
Sobre a Equatorial Goiás
A Equatorial Goiás pertenceu ao Grupo Equatorial, uma holding brasileira do setor de utilities, sendo o terceiro maior grupo de distribuição de energia do país. A empresa contou com sete concessionárias que atenderam mais de 56 milhões de pessoas. Somente em Goiás, foram cerca de 3,5 milhões de unidades consumidoras atendidas, localizadas em 237 municípios do estado, abrangendo 98,7% do território estadual e uma área de 336.871 km².













