Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de uma usina nuclear, as vítimas do Césio-137, em Goiânia, voltam a fazer um apelo urgente ao Governo do Estado de Goiás. Sobreviventes e familiares denunciam o baixo valor das pensões pagas atualmente — a grande maioria inferior a um salário mínimo — e o corte no fornecimento de medicamentos essenciais para o tratamento das sequelas causadas pela radiação.
O acidente, registrado em 1987, deixou marcas profundas e permanentes. Muitos dos contaminados desenvolveram, ao longo dos anos, graves problemas de saúde, como câncer, doenças autoimunes, alterações neurológicas, problemas dermatológicos e psicológicos. Para essas pessoas, a pensão estadual representa, em muitos casos, a única fonte de renda para custear alimentação, moradia e cuidados médicos.
Segundo relatos das vítimas, o valor recebido mensalmente é insuficiente para garantir uma vida minimamente digna, sobretudo diante do aumento do custo de vida e das necessidades contínuas de tratamento. A situação se agravou com a interrupção ou redução no fornecimento de remédios, alguns de uso contínuo, que são fundamentais para controlar os efeitos tardios da contaminação radioativa.

“Não estamos pedindo privilégios, estamos pedindo respeito e justiça. A radiação destruiu nossa saúde e nossa capacidade de trabalhar. Sobrevivemos, mas convivemos diariamente com as consequências daquele desastre”, relatam vítimas que preferem não se identificar.
Entidades que representam os atingidos reforçam que o Estado tem responsabilidade histórica e social com essas pessoas, já que o acidente ocorreu em território goiano e suas consequências perduram até hoje. Elas cobram a revisão urgente do valor das pensões, com reajuste que garanta pelo menos um salário mínimo, além da regularização imediata do fornecimento de medicamentos e da assistência médica especializada.
O apelo é para que o Governo de Goiás dialogue com os sobreviventes e adote medidas concretas que assegurem dignidade, saúde e reconhecimento àqueles que carregam, no corpo e na vida, as sequelas de um dos episódios mais trágicos da história do Brasil.





















